quinta-feira, 26 de novembro de 2009

60 anos


Folhando essas páginas e escutando Black de Pearl Jam até me deu a sensação de ter 60 anos. Que fiquei a vida inteira tomando café, ouvindo música, lendo um livro atrás do outro e comendo brócolis com maionese a "60 anos". Agora depois de tempos voltar a escrever sobre coisas que começaram estranhas, que se desenvolveram estranhas e obviamnete teria que também ter um fim estranho. Se é que as coisas tem um fim. As vezes penso que só dão um tempo por aí, conhecem outros lugares, visitam outras pessoas, escutam outras músicas e sentem o gosto de outros cafés. Eu escrevo , escrevo, enrolo, e acabo sempre escrevendo sobre música e café, como se fosse algo automático, onde necessitam deixar suas mácaras em cada escrita minha. Vair ver eles escutam quando digo que preciso me perder como preciso de ar e quando quero me encontrar novamente é sempre em algumas páginas de livros, no fundo de uma xícara e num refrão de música. Acredito que a música inspira, que o café inspira que a coisas a meu redor me dão e recebem energia. Mas que realmente inspira sou eu, sou eu quem escrevo, quem lê. E de repente tudo para, pra onde vai minha segurança? E essa indecisão me tomando conta por coisas mínimas, aí que vem a dúvida que nas coisas simples e pequenas, nos detalhes estão as grandes pessoas e acontecimentos. Eu tendo esse conhecimento tanto físico quanto interior, ainda assim me sinto insegura, deve ser pelo desapego, deve ser pela música, deve ser mais ainda pelo café. E eu partindo sem olhar pra trás, pq olhar pra trás é sempre como deixar um pedaço, um coração talvez, até mesmo a mão que servia de companhia. E a música agora canta White as Snow, 'branco como a neve, branco, como a neve'. Uns dizem não passe vontade, outros dizem: vontade dá e passa. Tá aí algo que eu não saberia reagir se tivesse vontade, se eu ao menos tivesse vontade de alguma coisa. Em algum lugar alguém te espera, é sempre isso que os finais querem nos dizer.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

realmente uma das tuas melhores


Ainda que dentro de mim as águas apodreçam e se encham de lama e ventos ocasionais depositem peixes mortos pelas margens e todos os avisos se façam presentes nas asas das borboletas e nas folhas dos plátanos que devem estar perdendo folhas lá bem ao sul e ainda que você me sacuda e diga que me ama e que precisa de mim: ainda assim não sentirei o cheiro podre das águas e meus pés não se sujarão na lama e meus olhos não verão as carcaças entreabertas em vermes nas margens, ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria você ah se ousássemos.

Caio Fernando Abreu.

sábado, 14 de novembro de 2009

me cansa


Quanto mais eu leio mais vontade me dá de escrever, de por pra fora tudo que em engasga quando é demais, quando não dá mais pra prender. Depois passa a fase, passa o tempo e se vê que os sentimentos não eram extremos coisa nenhuma e vai ver eu sou mais sentimental do que eu pareço. Porque essa minha curiosidade por fotos e filmes? Essas minhas unhas feitas num dia e no outro estão todas lascadas? Essa escuridão no quarto e pijamas sempre dão um ar de solidão, de algo que só pode ser prenchido até aqui, até o pijama, até a minha meia branca de dormir que eu coloco só pra acordar sem. Essa minha mania de ler livros e me insipiar tanto quase se tornando uma filosofia de vida ou uma instrução para meu próximo passo, tudo como se a vida fosse um jogo onde tu dá um tapa e recebe outro. Esse meu espírito de vingança sempre, de ter que cobrar o que um dia me tomaram ou me fizeram passar. E no fundo eu não acho isso um sinal de fraqueza, porque afinal o que é fraqueza? É chorar? Acho que não. As músicas calmas que mexem por dentro e refletem por fora. Essa minha busca de palavras interiores, querendo ser difícil me cansa. Cansei.