
Folhando essas páginas e escutando Black de Pearl Jam até me deu a sensação de ter 60 anos. Que fiquei a vida inteira tomando café, ouvindo música, lendo um livro atrás do outro e comendo brócolis com maionese a "60 anos". Agora depois de tempos voltar a escrever sobre coisas que começaram estranhas, que se desenvolveram estranhas e obviamnete teria que também ter um fim estranho. Se é que as coisas tem um fim. As vezes penso que só dão um tempo por aí, conhecem outros lugares, visitam outras pessoas, escutam outras músicas e sentem o gosto de outros cafés. Eu escrevo , escrevo, enrolo, e acabo sempre escrevendo sobre música e café, como se fosse algo automático, onde necessitam deixar suas mácaras em cada escrita minha. Vair ver eles escutam quando digo que preciso me perder como preciso de ar e quando quero me encontrar novamente é sempre em algumas páginas de livros, no fundo de uma xícara e num refrão de música. Acredito que a música inspira, que o café inspira que a coisas a meu redor me dão e recebem energia. Mas que realmente inspira sou eu, sou eu quem escrevo, quem lê. E de repente tudo para, pra onde vai minha segurança? E essa indecisão me tomando conta por coisas mínimas, aí que vem a dúvida que nas coisas simples e pequenas, nos detalhes estão as grandes pessoas e acontecimentos. Eu tendo esse conhecimento tanto físico quanto interior, ainda assim me sinto insegura, deve ser pelo desapego, deve ser pela música, deve ser mais ainda pelo café. E eu partindo sem olhar pra trás, pq olhar pra trás é sempre como deixar um pedaço, um coração talvez, até mesmo a mão que servia de companhia. E a música agora canta White as Snow, 'branco como a neve, branco, como a neve'. Uns dizem não passe vontade, outros dizem: vontade dá e passa. Tá aí algo que eu não saberia reagir se tivesse vontade, se eu ao menos tivesse vontade de alguma coisa. Em algum lugar alguém te espera, é sempre isso que os finais querem nos dizer.

